SEMINARISTA

Blog do ALTAIR DE ALMEIDA COSTA (Tachinha) - Aqui você vai encontar notícias sobre o ENFRADES - Encontro Franciscano de Ex-seminaristas, de Santos Dumont, e de vários outros grupos de ex-seminaristas; da Sociedade Cultural Padre Nereu de Castro Teixeira e do Coral Gregoriano de Belo Horizonte: www.gregoriano.org.br





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E-Mail Me

sexta-feira, julho 23, 2004

 
MISSA DE 7º DIA: A missa de 7º dia pela alma de DANIEL DE AGUIAR CAMPOS (50/56) será no domingo, dia 25, às 17 horas, na Igreja da Santíssima Trindade, no Gutierrez.


posted by Blog do Tachinha at 10:04 AM

quinta-feira, julho 22, 2004

 

CERVEJINHA: Hoje, apesar do frio, compareceram à cervejinha tradicional das quintas-feiras o Helvécio (Jaburu), Frei Cristóvão (Frei Capeta, para os íntimos) e seus indefectíveis e contestados cachimbo e charuto, Gilberto Garcia, Adeir, Altair (Tachinha), Amaury e o Divaldo (ex-seminarista de Itaúna).

O filho do Masseo, antigo dono do bar, vendeu o bar na Savassi e está agora somente com o Masseo I que funciona quase no final da Rua Goitacazes (ou Tupis ?)

ELEIÇÃO: O Gilberto Garcia tem uma sobrinha que está se candidatando a uma vaga na Câmara Municipal de Belo Horizonte. O nome dela é Beatriz Garcia e o nº dela é 25.777 do PFL.

Da turma nós temos o SALVINO JOSÉ DOS SANTOS MEDEIROS (Sal - 77/79) que é candidato, pelo PT, a prefeito de Alcobaça, no sul da Bahia.

 

 



posted by Blog do Tachinha at 11:07 PM

quarta-feira, julho 21, 2004

 
URBANO MEDEIROS NA REDE VIDA:  Envio abaixo o e-mail recebido do Frei Jean le Petit:

Caro amigo (a), o nosso colega saxofonista Urbano Medeiros estará sexta-feira próxima, às 21:30, na Rede Vida - Programa "Terceiro Milênio", falando sobre improvisação na música instrumental. Divulgue o que é bom!!! Abraço fraterno do Frei Jean le Petit - Comunidade Charles de Foucauld - Minas Gerais

O Urbano é um cara sensacional e já deu uma ótima palestra para nós lá em Santos Dumont. É um ótimo saxofonista e tem uns 4 OU 5 CDs gravados. Vale a pena conferir o programa com o Urbano.


posted by Blog do Tachinha at 9:54 PM

 
TEXTOS FINAIS DO FREI CRISTÓVÃO: Aí vão mais 3 textos do Frei Cristóvão, complementando os que enviou ontem.

CRISE CIVILIZATÓRIA (V)
 
5. Antropologia Cristã -
 
Vamos buscar suas raízes na epopéia da narrativa da Criação (Gn 1-2). O texto nos apresenta a imagem de um "Deus-Oleiro", deixando entrever o carinho, a ternura no ato criador de um "Deus-Artista". Ele coloca no ápice de sua ação criadora o "Homo" (homem-mulher), como sua "Imagem e Semelhança",  obra de seu amor e gratuidade.
 Criado à "Imagem e Semelhança" de seu Criador recebe a nobre incumbência de levar adiante o que começara, emergindo-se, assim, como co-criador, guardião que protege, cuida de tudo.
Da Terra, sua Casa-Maior, é o administrador e não o explorador. Dela é o seu guardião, dela devem cuidar, exaurir dela o necessário para a sua sobrevivência, sem danificá-la, destrui-la.
"Imagem" enquanto dotado de um "nous", de um sopro divino que o torna eterno viajante ("Homo Viator"),  em busca de sua fonte primeva, na qual haverá de saciar sua sede de perfeição, totalidade e de plenitude. Sua é a tarefa, a responsabilidade de conservá-la como um "Jardim", um paraíso, lugar aplausível, onde a gente se sente bem e em paz!
O bandido mais refinado em sua acribia e habilidade, em seus atos perversos, pelo seu "vous", reflete a glória de seu Criador, pela inteligência em si de suas ações e não pelo mau uso que dela faz. Veja a parábola do administrador desonesto: Lc 16.
Um questionamento nos vem à mente e que perturba a vida de muita gente: como conciliar a Previdência Divina e o livre arbítrio, a liberdade humana. Deus ao criar o Homo "à sua semelhança", dotado de liberdade, não teria fracasso no seu projeto, sabendo, de antemão, que  sua criatura predileta seria infiel, indigno do mesmo!
Deus-Criador, na grandeza de sua bondade e gratuidade, se revela no cuidado de um Pai e na misericórdia de uma Mãe. É um Deus Pai-Mãe; e, como tal, nos convoca a sermos seus co-adjuvantes, seus co-criadores. Programa uma ação criadora inacabada e conclama o "Homo" para dela participar também na qualidade de um ser-criado livremente e amoroso.
 Assume, como Pai-e-Mãe, o risco de dotar o "Homo" de liberdade, com a possibilidade de corresponder ou não a essa convocatória.
Quer ser amado e servido por pessoas livres, capazes de responder com amor a Ele que é o Amor por excelência.
Existencialmente podemos dizer que ninguém se salva deterministicamente, como se, ao nascer, já estivesse predeterminado. Uma atitude religiosa, de fé, livre e amorosa será a tônica da antropologia do Rabi da Galiléia, Jesus de Nazaré (Mt 5,45). Um Deus previdente: seu plano prossegue, talvez mais morosamente por causa da maior ou menor correspondência de sua criatura (Mt 6, 25-34). "Reino de Deus funde-se com um "Mundo Solidário", um mundo onde caibam todos.
Paulo, no chamado "seu evangelho", fala do "Homo Novus". No linguajar secular fala-se em "Homo Nobilis". A inserção a Cristo, a adesão ao seu projeto que é o projeto do Pai, nos faz de escravos, seres livres, iguais, sem qualquer discriminação (Gal. 3). Já João nos descreve como sendo a essência de Deus o Amor (I Jô 3-4). No Apocalipse descreve o "novo céu e nova terra - a nova Jerusalém - cap 21; já no cap 3,20 deixa entrever a delicadeza-amorosa de "Deus: "bate à porta do nosso coração e espera o convite para entrar cear conosco". 
  
Crise Civilizatória (VII)

7. Holismo
 
Há uma correlação entre ser humano, ser espiritual, ser religioso, ser ecológico, ser ético. Ecologia, Mística e Ética são, por assim dizer, megatendências, entre outras, da atualidade. Uma como que puxa  a outra. Elas se imbricam, e se perfazem. Para os humanistas vale o que se entende por "Ética Civil"; para os que cultuam uma crença religiosa vale o que se entende por Ética Religiosa. Outros preferem falar em Moral Religiosa. Questão semântica; o que importa é o que nos amarra enquanto compromisso e defesa da Vida.
Volta a tona a dimensão "solidariedade" ("Homo Solidarius").
 A solidariedade está como que intrinsecamente inscrita na nossa configuração genética, em nossas raízes biológicas.
Outro assunto deverasmente importante e envolvente: o "Homo" é, por natureza, geneticamente um egoísta ou um altruísta? Em outra oportunidade retomaremos a temática.
Ser solidário com os outros, com toda manifestação de vida, com a Mãe-e-Irmã Terra.
De uma visão segmentária, dualista, mecanicista de si mesmo, da matéria, do cosmo vamos passando, como que resgatando a visão holística de tudo o que existe. Nada existe em si e per si. Tudo co-existe.
Corpo, (soma) mente (psique), alma (vous) formam um todo integrado e correlacionado. O "vous" finca as suas raízes no "soma"; e a psique tem sua dimensão bio-espiritual.
O "Todo" está nas "partes" e as "partes" estão e formam o "Todo". O "Todo" não é simplesmente o somatório aritmético das "partes". Forma um conjunto com especificidade própria. Reveste-se de uma nova identidade.
Desta concepção (novo paradigma) brota a consciência planetária-cósmica e uma ética ecológica (Ecoetica). 
 
CRISE CIVILIZATÓRIA (VIII)
 
Concluindo sem concluir
 
Torna-se imperioso e ao mesmo tempo gratificante ter esta visão de conjunto, esta visão global; caso contrario, você se resseca num pessimismo azedo e fica de mal com a vida.
Sem esta cosmovisão (paradigma), corre-se o risco de se afogar num copo de água.
Muitos se fixam em pontos negativos, cacos e frangalhos de um processo de desestruturação necessário para se conseguir e se chegar a uma nova estruturação (Novo paradigma - novo Eon no processo evolutivo humano em direção a uma consciência mais reflexa e construtora de uma humanidade mais humana, mais solidária).
Uma coisa é certa: o novo não nasce do nada, "ex Nihilo". Tem suas raízes no passado, na tradição.
O processo crítico purifica o passado de suas gangas, de suas escórias. O que o passado comporta de verdadeiro, de bom, numa palavra: de humano, perdura; permanece inserido no novo, faz parte de seu ser e, por isso mesmo, possibilitou  seu eclodir.
Portanto, de suas raízes é que brota o novo como expressão do humano em contínuo processo de realização de si mesmo enquanto "um sendo em busca do Ser".
O "Homo" como um Projeto, um devir constante em busca d`Aquele que o criou, o Outro por excelência, e que o atrai permanentemente (Nietzsche).
 
Bibliografia.
 
É vasta. O essencial, no meu entender, passa pelos escritos dos sábios orientais, pela Bíblia, Sto. Agostinho, Mestre Eckar, Francisco de Assis, S. Boavenura, M. Gandhi, Teilhard de Chardin, K. Rhaner, H. Buber, Levinas, C. C. Jung, K. Marx, Aurobindo Sri, Einstein, Leonardo Boff, Marcos Arruda, etc., etc.. 



Frei Cristóvão Pereira ofm.


posted by Blog do Tachinha at 10:56 AM

 
LAPTOP À VENDA: Envio a seguir o e-mail recebido do Renato, filho do João Lembi.
"Oi Tachinha, peço sua ajuda para mandar para os conhecidos e interssados em computadores, a venda do computador da Gisele (filha do João). []s Renato.
Laptop comprado por mim há 1 ano 1/2 nos EUA: com nota, novo, pouco uso, sem manutenção, excelente estado. COMPAQ Presario 900US, AMD 1.8, com drive de 31/4, Gravador CD, leitor DVD, USB, rede, 512  memória ran. Valor: R$3.900,00, em dinheiro, à vista. Não troco, não parcelo. CEL. 99508807. Tel: 32978807 - e-mail: gviana.bh@terra.com.br


posted by Blog do Tachinha at 12:22 AM

 
POSTAL DO SEMINÁRIO: Neste endereço sobre a cidade de Santos Dumont, enviado pelo Dante (Elefante), você vai encontrar um postal do Seminário e da Comunidade de Jovens Franciscanos - CJF. Para você ver o postal em tamanho maior basta clicar sobre a foto e se quiser usar este postal como pano de fundo é só clicar sobre a foto com o lado direito do mouse e escolher a opção "definir como pano de fundo". O endereço é: http://www.asminasgerais.com.br/Zona%20da%20Mata/UniVlerCidades/Cidades/santos_dumont/area2.htmOs que gostam de navegar e conhecer um pouco sobre Minas Gerais podem visitar esta página: http://www.asminasgerais.com.br e ir navegando sobre as várias regiões do nosso Estado. É um endereço com muitas informações interessantes.PANELAS PARA O SEMINÁRIO: O Antônio Márcio, nosso querido cozinheiro Bangalão, encontrou uma loja de utensílios para cozinha e que estava fechando as portas e viu uns panelões que serviriam lá para o Seminário e, aproveitando os preços nós compramos 5 ao preço de R$365,00. Já vamos mandar as panelas lá para Santos Dumont e elas já estarão esperando por nós - com o tempero do Bangalão - no encontro de 2005.NOTÍCIAS DO ENFRADES 2004: O meu computador estava com uns problemas e que foram resolvidos pelo Emmerson, irmão do La Robe, e que é um ótimo técnico em computador (quem mora em Belo Horizonte e precisar é só ligar para o Tachinha) e na próxima semana vou colocar as notícias sobre o nosso último encontro em Santos Dumont.


posted by Blog do Tachinha at 12:17 AM

terça-feira, julho 20, 2004

 
TEXTO DO FREI CRISTÓVÃO: Segue abaixo mais um texto, em 4 capítulos, do Frei Cristóvão sobre assunto abordado no nosso encontro em Santos Dumont por ocasião do Lucernário.

A CRISE CIVILIZATÓRIA (I)
 
Introdução
 
Esta foi a temática que gostaria de ter refletido com mais vagar no 27º ENFRADES, versão 2004. (Enfrades: Encontro Franciscano de Ex-seminaristas, da Província de Santa Cruz - Minas Gerais-Sul da Bahia).
Devido à miudeza do tempo, entreguei aos presentes o roteiro da reflexão, pontilhando aqui e acolá alguns tópicos, no meu entender, de maior cunho enriquecedor antropológico-cristão-francisclariano para a turma, isso dentro dos limites do tempo que me foi proposto.
A propósito, o teor desta reflexão imaginado por mim teve sua inspiração em muitos encontros, palestras, seminários, dos quais participei ou fui convidado para coordenar; mas também dos papos, discussões que, volta e meia, brotam em nossos encontros, às quintas-feiras, lá na Savassi (Encontro semanal dos ex-seminaristas residentes em BH e região metropolitana).
Em tempos de profundas mudanças, mudanças estruturais, mudança epocal, não é de se admirar que muitos se sentem confusos, meio perdidos; já outros, desiludidos, desesperançados. Alguns pessimistas jogam a toalha na lona e "seja o que Deus quiser!" O que, afinal não é nada bom para a saúde integral da gente!
"Qui bene distinguit, bene docet", aprendemos com os escolásticos, e esses com os gregos.
Em sendo assim, vamos por parte, passo por passo.
Tentarei discorrer sobre o tema por meio de módulos adaptados para a publicação em diversos periódicos por  este Interior afora.
 
Analise, compreensão e consenso semântico mínimo dos conceitos em jogo
 
1. Crise
 
A raiz "Kir ", "cri" vem de longe, bem de antão. "Cri" vem do prefixo "Kir", "Kri", do sânscrito que era língua usada pelos iniciados aos "mistérios sagrados" e usada nos cultos, nos rituais onde e quando celebravam esses mistérios.
O movimento semântico do prefixo denota   volta às raízes,às fontes; de busca daquilo que é essencial ao nosso viver, da nossa preocupação, nosso desejo de sermos felizes.
Do sânscrito passa para as línguas indo-germânicas; dessa para o grego; do grego para o latim; e desse para o português. Assim temos "krineiv", "krisis". "crisis"; crise. Outros termos foram se criando, conservando a raiz "cri", tais como: acrisolar, crisol, critério, critica, etc.
No popular, a linguagem do dia-a-dia, nos conservou a expressão "cricri". Fulando é um "Cricri", com a conotação pejorativa de ser um cara "chato", "criador de caso". Se bem que, sendo fiel à sua origem semântica acima aludida, a conotação positiva  quer dizer uma pessoa questionadora, que busca as causas, as raízes dos problemas, da questão em si.
Um bom aluno ou discípulo não é aquele que ouve e repete o que o professor ou o mestre fala, ensina. Não. Ele ouve, pergunta, questiona o que escuta, lê e a partir daí´ toma posição, constrói sua opinião, fundamenta sua postura.
O mesmo vale para o professor, para o mestre: sua acribia, a exemplo de Sócrates ("Maieutica" - "Ironia Socrática" - o mesmo fez Jesus, o Rabi da Galiléia face aos escribas, doutores da Lei e fariseus), está justamente em fazer seus alunos, seus discípulos(as) pensarem; terem opiniões próprias; serem eles mesmos; descobrirem seu próprio caminho.
O mesmo pode-se dizer em relação aos pais: além do testemunho e da doação gratuita de suas vidas, cabe a eles "puxarem pela cabeça dos filhos"; ensinarem a eles pensar e assumir o desafio da Vida sob os parâmetros da Justiça e da Liberdade; numa palavra,  serem pessoas na eticidade humana.
 
 
Crise Civilizatória (II)
 
2. Civilização
 
Se estamos vivendo tempos de crise civilizatória é porque o que somos e o que fizemos já não corresponde mais ao que somos chamados a ser enquanto humanos, e a "casa" que construímos para morar, para nos proteger também não serve mais, não nos protege como humanos.
Importa nos criticar e criticar o mundo que criamos e do qual somos co-responsáveis.
Criticar no sentido de voltar às raízes do nosso ser e do mundo que construímos como morada do nosso ser.
Criticar, na sua conotação positiva vem a ser limpar, purificar das cangas ou escórias que ofuscam o brilho do nosso ser, a jovialidade de nosso viver, a beleza do mundo (Civilização), que construímos e somos convocados a continuar a construir.
Aliás, mundo ("mundus" se opõe a imundo, a feio, já os gregos, amantes do belo e do bom ("kallos kai kagatos"),  da unidade, usavam o termo "kosmos". Dai temos cosméticos, produtos para embelezar o corpo, a face, os cabelos).
Civilização é um termo complexo e rico. Semanticamente deriva de "Civitas", cidade. Outras expressões foram brotando, do conhecimento de todos nós: cidadania, cidadão, civilidade, civil.
Civilização seria o resultado do esforço, da ação do homem no sentido de construir para si uma casa, uma morada, uma cidade. Já civilidade é a habilidade, o modo de se viver na Cidade. E a aprendência de como ser cidadão, de como viver com os outros.
A convivência - socialização - da origem a linguagem, a comunicação; dela torna-se possível a transmissão do saber, e com ela a Tradição.
O viver junto,  a convivência, está na origem da "Civitas".
Os gregos fazem a distinção sutil,  importante, entre "Poeiv" e "Praxein".
"Poeiv": fazer, fabricar, criar, produzir, executar, preparar.
"Praxeiv": fazer, cometer, agir, executar, conseguir, intencionar, arranjar.
Dentro do contexto de nossa explanação interessa-nos captar essa sutiliza em termos de criar que se contrapõe a fazer, a agir.
De "Poeiv" temos poema, poesia, poética. O "Homo", além de um fabricador, é também um criador, um artista. Ele não apenas faz, fabrica, executa; ele inventa, ou melhor dizendo, ele cria. É mais do que um artesão, é um artista.
 Na Antropologia Social e Cultural se faz a distinção entre  "Civilização" e "Cultura". Aqui já se podem perceber a transição e superação do nível das necessidades para o nível da liberdade.
"Civilização" se aproxima mais de "Praxeiv", ao passo que  "Poeiv" nos leva a pensar mais em "Cultura".
"Crise Civilizatória"  indica mais o lado material (as necessidades) de tudo aquilo de que precisamos para a nossa sobrevivência. Faz pensar mais na construção da "Civitas", da Cidade, no sentido de "Casa", lugar onde mora o "Homo", seu habitat. Com o eclodir da consciência ecológica, "Casa" ganha dimensão planetária, é o nosso planeta terra.
Neste contexto podemos compreender a distinção que se faz entre "Progresso" e "Desenvolvimento". Progresso se refere mais às condições materiais (infra-estrutura) que possibilitam a vida; ao passo que "Desenvolvimento" se atem mais à qualidade de vida, aos valores humanos de um tipo de vida.
 
 
 
Crise Civilizatória (III)
 
3. Cultura.
 
 
Por extensão, pode-se dizer que "Cultura"  se refere a valores; valores que tornam humana, mais humana a vida humana (justiça, solidariedade, colaboração, amor, paz, reconciliação, beleza, bondade, ética, espiritualidade, etc.).
Nela se explicita a dimensão poética, gratuita, amorosa, religiosa, ética do ser e viver humanos. O "Homo cautos" se projeta como um sábio, prudente, experiente, calejado na arte do bem viver e do viver bem.
Um povo, neste sentido, deveria ser mais sábio quanto mais avançada for a qualidade de vida tiver alcançado. O que, na verdade, pode não se dar . E um povo limitado no atendimento de suas necessidades básicas pode-se apresentar valores culturais preciosos, tais como: honesticidade, eticidade, solidariedade, alegria de viver, religiosidade.
A crise civilizatória teria uma de suas explicações, justamente, nessa dicotomia, neste vertiginoso progresso material em detrimento do progresso cultural, enquanto concentra, individualiza o bem-estar material. Como se tivesse crescido, excessivamente no "Ter" e não no "Ser". Há como que um inchaço da cabeça, da razão (Racionalismo - Tecnicismo), e atrofiamento do coração ( cordialidade, convivialidade, gratuidade, solidariedade, religiosidade, sabedoria ternura, cuidado, qualidade de vida etc.).
Esta distorção existencial estressa enquanto provoca o vazio existencial, a pobreza ética, a razão e alegria de viver. Temos, então, o "Homo Materialis", o "Homo Consumens".
O feitiço virou contra o feiticeiro "O Homo" tornou-se vítima do próprio sistema por ele criado. Torna-se difícil retroceder quando nele se acha enfronhado. O progresso não é e nem pode ser ilimitado. A crise civilizatória está justamente nos limites de um progresso que se torna auto-destrutivo, uma ameaça ecológica coletiva.
"... assim como o poder e o perigo da física surgiram quando os cientistas foram capazes de "tocar" os átomos - refiro-me à física atômica e a energia nuclear - também o poder e o perigo potencial da genética se tornaram realidade quando os cientistas começaram a "tocar" os gêneses" (Fred Boyle: 1975).
Uma nova geogenese, uma nova biogese, uma noogenese e conseqüente nova antropogenese são condições imperiais para sustentar a sobrevivência da Mãe-Irmã Terra e das espécies vivas que nela habitam. Desta tarefa o "Homo" é o primeiro responsável.
Esta reviravolta cultural é também denominada "Paradigma". Crise civilizatória é uma crise paradigmática.
Paradigma vem a ser, então: o surgimento de um outro tipo de percepção da realidade (geogenese), com novos valores, novo sonhos (Utopia), nova forma de organizar os conhecimentos (Epistemogenese), novo tipo social (Solidarismo), nova forma de dialogar com a natureza (Holismo - Ecologia), nova forma de experimentar a Última Realidade (Espiritualidade), e nova maneira de entender o ser humano no conjunto dos seres.
 
 
Crise Civilizatória (IV)
 
4. O "Homo Solidarius"
 
Tanto a Antropologia Cristã como Personalismo Cristão muito contribuíram e contribuem no processo evolutivo do "Homo Solidarius".
Quando os primeiros cosmonautas pousaram no espaço lunar, olhando para a Terra não viram nações, povos, e sim uma reduzida bola azulada onde todos moramos.
No momento já se iniciam as primeiras viagens turísticas além dos limites do espaço terrestre.
Na tela da TV de sua casa você se conecta com tudo que se passa e acontece na Terra. O mercado se globaliza com os avanços da telemática. A Terra se transforma numa "Aldeia Global!" Novos artefatos tecnológicos exploram o espaço cósmico. Surge a "consciência planetária e cósmica, e com ela ressurgem nossos arquétipos mais reprimidos e arcaicos. Redescobrimos que somos companheiros comuns de origem e de jornada. Somos pulsionados biológica e geneticamente a construir um mesmo destino, um futuro comum.
Descobrimo-nos como seres solidários, éticos, religiosos.
Um conjunto mínimo, consensual como comportamento comum para todos: "Não matar, não mentir, não adulterar, cuidar e defender a Vida, promover a Justiça ao alcance de todos..."vale para todos. Fala-se então de Macroética, de um código de normas universal.
Seu imperativo é questão de vida ou de morte, senão para nós, para as próximas gerações.
Daí o salto qualitativo que se impõe como uma nova "Cultura", um novo "Paradigma Civilizacional. Vivemos em tempos de mutação de época. Tempos de crise civilizacional".Tempos de Mutação", no dizer F. Capra.
A título de ilustração o diagrama seguinte pode servir para uma melhor compreensão sobre a temática em pauta:
EU sem NÓS: individualismo - capitalismo;
NÓS sem EU: coletivismo - socialismo burocrata, estatista;
EU e NÒS - NÓS e EU: solidarismo - comunitarismo.
Seria a partilha solidária do "Pão" e da "Beleza". Teríamos uma satisfação mais eqüitativa das necessidades básicas e um desfrutar mais eqüânime da Liberdade.
A esperança fundamenta a Fé (Escatologia); essa, por sua vez, deságua no amor, na solidariedade.
Da geosfera, no processo evolutivo, a "Flecha do Tempo", segundo Teilhard de Chardin, surgiu a biosfera. O processo de resfriamento do globo terrestre teria levado 15 bilhões de anos; a biosfera (a origem dos seres vivos,  orgânicos), outros cinco milhões.
Segundo os estudiosos do assunto a noosfera, o surgimento do "Homo Sapiens", como seres dotados de um "nous", de uma consciência reflexa e de uma linguagem simbólica nos reporta a 10.000 anos.
Tudo é questão de tempo e da aceleração do próprio processo evolutivo. Não deixa de ser gratificante estar consciente desse processo e dele participar livre, amorosa e gratuitamente!



posted by Blog do Tachinha at 10:36 PM

segunda-feira, julho 19, 2004

 
FALECIMENTO - Com pesar informamos o falecimento do nosso querido amigo e ex-colega DANIEL AGUIAR CAMPOS (50/56), de Divinópolis. Infelizmente nenhum representante de nenhuma fábrica de cigarros vai estar presente ao velório e/ou ao enterro e, muito menos, pagar as despesas de internação do período em que o mesmo esteve hospitalizado por causa dos cigarros que ele fumava. Apresentamos à família do Daniel os nossos sentidos votos de condolências pela perda de mais um amigo do ENFRADES. Requiescat in pace, Daniel, e que Deus o tenha na sua infinita glória, onde um dia, sem pressa, pretendemos chegar lá!


posted by Blog do Tachinha at 10:28 PM

 

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