|
Blog do ALTAIR DE ALMEIDA COSTA (Tachinha) - Aqui você vai encontar notícias sobre o ENFRADES - Encontro Franciscano de Ex-seminaristas, de Santos Dumont, e de vários outros grupos de ex-seminaristas; da Sociedade Cultural Padre Nereu de Castro Teixeira e do Coral Gregoriano de Belo Horizonte: www.gregoriano.org.br
|
quarta-feira, julho 28, 2004
TEXTO DO FREI CRISTÓVÃO: Vai abaixo mais um texto, além do e-mail enviado pelo Frei Cristóvão:
Prezado prof. Altair.
Paz e Bem.
Segue o artigo "o seu voto vale o que você vale".
Peça à turma para que se esforcem para publicá-lo nos jornais da cidade ou da região; ou então, procurem difundi-lo. O mesmo pode ser feito com os artigos anteriores.
Gratias.
FC.
O SEU VOTO VALE O QUE VOCÊ VALE
A campanha está na rua e em sua casa, através da mídia, e já vai caminhando para a reta final. As eleições se aproximam. A descrença na Política, ou melhor “nos nossos políticos e nas instituições políticas (partidos, poderes executivo, legislativo e judiciário, em suas instâncias municipal, estadual e federal), no próprio processo eleitoral, salta aos olhos. As razões são múltiplas, entre as quais elencamos: a debilidade de nossa Democracia, as desigualdades sociais, a fragilidade de nossa legislação eleitoral, a malversação dos recursos públicos, o peso do dinheiro no financiamento de campanha, a famosa “caixa dois” e o dinheiro cada vez mais minguado no bolso do povo, os profissionais do ramo, “carreiristas” fazendo da Política meio de vida, maneira de se arranjar, vencer na vida, se enriquecer!
Tudo explica essa descrença geral. Isso é sério e muito grave. O que está em jogo são as Instituições Democráticas, a própria Democracia. Urge resgatar nosso direito de ser cidadão e participar, conscientemente, no processo de construção de nossa Casa-Maior: o município, o estado, a nação.
O voto, entre tantos outros, é um instrumento importante, indispensável e necessário neste mutirão coletivo no processo de construção desta Casa-Comum que queremos, não só para nós, mas para todos.
Concretamente, descrer na Política, não votar, além de por em risco o processo democrático, é dar, deixar o espaço aberto para que os políticos corruptos, os “carreiristas” e “profissionais, os “picaretas” ocupem o Espaço, esse que deve ser preenchido e exercido por nós, pelos que levam a Política a sério, fazendo dela um instrumento legal para reverter o quadro, mudar a situação. Cabe a estes e a nós construir e cuidar de nossa Casa. Não votar, não se interessar “é entregar aos cabritos para que eles cuidem de nossa horta”!
Vou fechar estas linhas com uma reflexão filosófica. Foram os gregos, especificamente, a escola aristotélica, que nos deixaram esta lição.
O Homem se descobre Homem vivendo junto com os outros Homens, na Polis(família, tribo, clã, cidade, estado). O Homem é um animal político, vive na Polis, com sua organização (Direito-Lei-Constituição, Regimento Interno-Estatuto); toma consciência de que é cidadão, alguém que vive e é responsável por esta Cidade-Maior, a Casa de todos, vivendo junto e com os outros.
O voto é a sua fala, e o Homem manifesta o que é, seu ser, pela sua fala. Votar é falar politicamente. Seu voto é a sua fala.! O valor que você dá ao seu voto é o valor que você dá a si mesmo. O seu voto vale o que você vale!
O voto, a pessoa em quem você vota, o apoio ao partido no qual o seu candidato está inscrito, com o respectivo projeto de Sociedade que defende, revela a grandeza de seu coração. Ele é a expressão de seu amor para com a sua Cidade, seu Estado, a Nação que queremos para todos.. Ele é a expressão de sua fala, expressa o que você é perante você mesmo.
Pelo voto torno-me responsável pela Polis, pela Casa que queremos para todos, onde caibam todos, ninguém seja excluído! É isto que está em jogo quando você decide votar ou não votar!
Pense em tudo isso, decida, não deixe de votar e vote bem!
Frei Cristóvão Pereira ofm.
UMA TIPOLOGIA DO VOTO
O voto ingênuo – interesseiro – comprado – conquistado – cidadão – bandido – responsável – consciente (Vide: Hélio e Selma Amorim, “mensagem ao leitor”, in Rede – boletim rede de cristãos das classes médias – ano X – julho 2002 – nº 115).
Apresentamos, nesta reflexão, um resumo comentado do artigo do casal do MFC. “Não me meto em política”! “Política é coisa suja”. “Os políticos são todos desonestos, não dá para confiar em ninguém”! Seria o caso de analisar o que embasa esse imaginário popular de nosso povo (inconsciente coletivo), quanto à atividade política. É questão de tempo, de amadurecimento cultural; de pleito em pleito o povo vai aprendendo o que seja Política e como votar conscientemente. O Passado colonial, patriarcal, a concentração de bens e de renda, a desigualdade social, a pobreza e miséria do povão, o comportamento de “tantos políticos profissionais”, os “picaretas”, a corrupção que afeta parte significante de quem exerceu e exerce qualquer cargo público, são causas explicativas dessa descrença na Política. A realidade só tende a melhorar com a urbanização e maior estrutaração da Sociedade Civil. Quem viver, verá.
Voto ingênuo: não deixar se ludibriar com a demagogia do candidato, seu palavreado fácil, sua “bicaria”! É preciso conhecer o passado e o presente do candidato, sua vida pública, sua folha de serviço em benefício da Comunidade, do povo. São honestos? Confiáveis? Não seja bobo e não caia na esparrela!
Voto interesseiro: quando você vota para resolver o seu problema pessoal. Vote para resolver o problema de todos. Isso não é correto e você pode estar sendo enganado...
Voto comprado: é trocar voto por presentinho, dinheiro ou cesta básica. Não é certo. É vender o voto. É comer um dia e passar quatro anos comendo mal... Além do mais é corrupção. O candidato pode ser denunciado. A lei (9840) prevê punições. O candidato é um corrupto. Voto não tem preço, tem conseqüências.
Voto conquistado: muitos brasileiros foram torturados e morreram para garantir o seu direito de votar! Direito e dever. Por isso não brinque de votar. Voto é coisa séria! Escolha o seu candidato como exercício de cidadania e amor ao Brasil. Não se esqueça dos que morreram pela cidadania.
Voto cidadão: você é um cidadão brasileiro. Tem direitos e deveres com o seu país. Não votar, votar em branco, anular o voto é trair os que lutaram pelos seus direitos. E não cumprir seu dever. Seu voto nulo ou branco vai favorecer os maus candidatos. Vote certo. Vote consciente.
Voto bandido: neste caso, o mais certo é denunciar. É dever do cidadão denunciar os abusos de candidatos e partidos desonestos. Envie a sua denúncia à Justiça Eleitoral. Oferecer dinheiro, pagar cabos eleitorais para fazer boca de urna, levar eleitores em kombis para votar... tudo isso é crime eleitoral e vai contra a democracia.
Voto responsável: quando abordado faça perguntas ao candidato que só aparece por quatro anos. “O que você fez pelo povo até hoje”? Se for o caso, recorde as promessas não cumpridas por ele ou seu partido. Peça-lhes para assinar embaixo do que prometem, para cobrança futura.
Voto consciente: por que há tanta coisa errada no nosso país? Todos concordam: não temos os bons políticos que o Brasil merece. Mas quem os elegeu? Nós mesmos, se fomos ingênuos, se acreditamos sem investigar ou votamos por interesse, se anulamos o voto achando que política é coisa suja, se “vendemos” o voto, se votamos mal.
Interessantíssima essa tipologia apresentada pelo casal Hélio e Selma. Agora, o resto é com você. Divulgue o mais possível essa reflexão sobre o voto. Com isso estamos participando da imensa empreitada de moralizar nossas eleições e estreitar o espaço para os candidatos corruptos. E o Brasil vai melhorando e crescendo em democracia social, econômica e política.
Frei Cristóvão Pereira ofm.
|
|