SEMINARISTA

Blog do ALTAIR DE ALMEIDA COSTA (Tachinha) - Aqui você vai encontar notícias sobre o ENFRADES - Encontro Franciscano de Ex-seminaristas, de Santos Dumont, e de vários outros grupos de ex-seminaristas; da Sociedade Cultural Padre Nereu de Castro Teixeira e do Coral Gregoriano de Belo Horizonte: www.gregoriano.org.br





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sexta-feira, outubro 22, 2004

 
LIVROS PROCURADOS: O Jorge Laudelino está se preparando para fazer pós-graduação em História e está a procura dos livros abaixo. Quem tiver notícia de algum deles e estiver disponível é só entrar em contato com o e-mail dele: jcorreia@uai.com.br

1. Braudel, Fernand. “História e ciências sociais” Lisboa, presença 1972.
2. Burke, Peter “As Escritas da História “Novas perspectivas, São Paulo, UNESP 1992.
3. Cardoso, Ciro Flamarion (org) “Domínios da Historia” Rio de Janeiro, Campus 1997.
4. Linhares, Maria Yedda, “Historia Geral do Brasil” Rio de Janeiro, Campus 2000.
5. Lowi, Michael, Ideologia e Ciências Sociais -São Paulo – Ed. Cortez 1995.
6. THOMPSON, E.P “Formação da Classe Operaria, Rio de Janeiro, Paz e Terra, (1987 (introduçao)”).

CONDECORAÇÃO DO PAULO ROBERTO: Neste sábado, dia 24, o Paulo Roberto (Batata) estará sendo homenageado pelo Governo de Minas Gerais com a Medalha Santos Dumont, lá em Cabangu, perto do nosso seminário. Parabéns Batata por mais esta justa homenagem.

OPERETA NO SEMINÁRIO: Será encenada no Seminário, em Santos Dumont a Opereta: LEGENDA DE SANTA CLARA.
Apresentação: CORAL TROVADORES DA MANTIQUEIRA
LOCAL: SEMINARIO SANTO ANTONIO
DIAS 23 E 24 DE OUTUBRO, ÀS 19:30 HS.
INGRESSO: MATERIAL DE HIGIENE / LIMPEZA EM BENEFICIO DO EDUCANDÁRIO SANTA TEREZINHA

Esta mesma opereta será encenada em São João Del Rei será no dia 05 de dezembro, comemorando os 100 anos da chegada dos franciscanos àquela cidade.

CERVEJA DE QUINTA-FEIRA: A cervejinha de ontem contou com a presença do Tachinha, Helvécio (Jaburu), Amaury, Antônio Vale (Cogumelo), Adeir, Paulo Petermann, Rosemiro, Antônio Márcio (Bangalão), Frei Cristóvão e seus detestáveis charuto/cachimbo, Alex Fantini, Marcos e Vinicius - filhos do João Marques (Cri).



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segunda-feira, outubro 18, 2004

 
TEXTO DO FREI CRISTÓVÃO: Segue abaixo o texto do Frei Cristóvão sobre o Natal.

SIMBOLOGIA DO NATAL

“Mil vezes nascesse Cristo em Belém e não em ti: ficarias perdido eternamente”.
(Angelus Silesius)

Poderíamos tomar como título de nossa reflexão algo de mais contundente, direto e existencial: É NATAL DE NOVO”! E, então, a gente fica pensando:” puxa, o fim do ano está aí, o Natal já se aproxima! Ou, então, perguntar: “Mudou o Natal ou mudei eu ?”( Assis, Machado de, Rio de Janeiro: Ediouro, 1996:83). Assim, como tal, interrogo-me pelo o quê de “novo” o Natal me propõe e convida. De novo, no sentido de renovação interior, de crescimento enquanto gente, pessoa, cristão, de amadurecimento humano, de sabedoria existencial, de busca do essencial, de um referencial básico, de um balizamento que sustente minha vida, meu ser enquanto homem, mulher, de esposo e de esposa, de pai e de mãe, de cidadão brasileiro, de democrata que gostaria de ser, de cristão afinal. Para favorecer este desafio permanente que dá sentido ao nosso ser e viver, vamos trabalhar com os símbolos riquíssimos do Advento, do Natal, com seu conteúdo e mensagem programáticos e incentivadores de uma mística, de uma espiritualidade, de uma filosofia de vida, de um modo de ser e viver, de uma sabença que vale mais do que o ouro ou qualquer outra pedra preciosa, isso porque ultrapassam os limites do espaço e do tempo, os horizontes do ter, da quantidade e nos lançam em direção do SER, da Transcendência da Eternidade, da plenitude da VIDA (estamos mais habituados em falar “VIDA ETERNA, o que não passa de uma redundância, de um pleonasmo!).
Para refrescar a memória relembramos que “símbolo”, vem do grego, na sua composição semântica de “syn” e “bólos”. “Syn” significa junto, com, ao mesmo tempo, preenchendo a idéia de simultaneidade, de reunião; já “bólos”, vem de “ballein”, faz pensar em pôr, colocar, lançar, jogar, ferir, tocar, deitar. No símbolo, na linguagem simbólica o todo, o conjunto contém um sentido, uma mensagem que vai além de seus componentes físicos, materiais captados pelos nossos sentidos. Eles nos lançam para o além, para o que está por de trás das coisas e dos acontecimentos. Daí a importância que hoje vai adquirindo a hermenêutica e exegese simbólicas em oposição, sem negá-las, evidentemente, a hermenêutica e exegese tradicionais, oriundas dos “novos sujeitos sociais” (o povo, os índios, as mulheres, os negros, os excluídos), características ao Terceiro Mundo, mais especificamente, à América Latina, Caribe e à África.).
Resumindo: “hermenêutica” quer dizer interpretação e contextualização do texto; já exegese vem a ser o estudo científico do texto. Sem mais delonga, vamos aos referidos símbolos.
ÁRVORE: símbolo de vida, de crescimento, de sombra, proteção; o cipreste, em particular, (vejam os cemitérios dos romanos),de eternidade;
O VERDE: esperança, repouso, paz, serenidade;
A COROA: plenitude, totalidade, globalidade, perfeição, A” e “Z”, Alfa e Ômega, princípio e fim, eternidade;
ESTRELA: guia, norte, direção, projeto, bandeira, sonho, utopia;
CÍRIO - VELA: luz, claridade, diafaneza, diamanticidade, transparência, brilho, doação silenciosa e discreta, o clarão da Verdade, da Honestidade de ser e de vida, sinceridade de intenção;
FITA VERMELHA: (envolvendo a coroa): amor, entrega, suor, sangue, martírio, doação consciente, oblação, sofrimento libertador;
MANJEDOURA: (do italiano ”mangiare”), lugar onde os animais, o boi, o burro comem. Foi aí que a virgem puerpera reclinou o infante recém-nascido. Símbolo de pobreza, simplicidade de vida, despojamento, austeridade existencial, limitada ao necessário, liberdade perante as coisas, os bens materiais, perante o “ter” (economia do necessário para todos, em oposição ao luxo, à ostentação injuriosa do supérfluo de uma sociedade afluente, rica, porém, desigual, desumana, sem Natal e, por isso mesmo, sem paz;
JOSÉ: protótipo, arquétipo do homem justo e piedoso, simples, anônimo e serviçal, dedicado e fiel, silêncio de presença que serve por amor;
MARIA: doação, entrega, serviço consciente, silêncio, presença discreta, oração, contemplação, gratuidade, mulher forte, mulher do povo, nossas Marias; forte porque luta pela sobrevivência e do povo porque abre mão de seu filho por uma causa maior que é a Justiça e a Libertação do povo, do excluído e a instauração do novo mundo, mundo marcado por valores, um tanto quanto carentes na praça, tais como fraternidade, solidariedade, amor, perdão, misericórdia, alegria de viver no gratuito do evento do ser e da fugacidade do existir;
OS ANIMAIS: a mansidão do boi, a humanidade do burrico. Estão aí para servir. São servos dos homens. E o Menino dirá mais tarde: “bem-aventurados os humildes, os mansos porque eles possuirão a terra” (MT 5,6). Ele mesmo se tornará o servo de todos (Is. 50,10;53;57;Jo.13);
O DIVINO INFANTE: é o Verbo de Deus encarnado, o Filho de Deus, o Emanuel, o Deus-Conosco, o Deus-no-meio-de-nós, o audiovisual de Deus. Um Deus que se faz nosso irmão, a revelação do amor, da bondade, gratuidade, misericórdia e perdão de Deus, Do Deus que é Pai e Mãe, o sacramento de Deus, a verdade individualizada. E, no entanto, Ele é o Senhor do mundo: ”nELE e por ELE foram criadas todas as coisas...”(Col l,l5);
O PRESÉPIO: é o conjunto destes símbolos e nos confunde por sua singeleza, simplicidade e pobreza...É neste clima que Deus se manifesta, fala alto, sua bondade e justiça eclodem. E os “os grandes”, os “poderosos” à custa e em detrimento dos pequenos, se sentem confusos, ofuscados, perdidos; intuem o vazio de seu “poder”, a fragilidade de sua ascendência. Faz pensar no canto litúrgico popular: ”o poder tem raízes na areia...” De repente, num relançar de olhos, se vêem escravos do seu ter e saber, exploradores e escravizadores de multidões. São os verdadeiros alienados, isto é, não são eles mesmos, são possuídos, escravos do seu ter, poder e saber, de seu orgulho e petulância, de sua insensibilidade em face à miséria de milhões que campeia ao seu redor, vizinha de sua casa.
O poeta Fernando Pessoa que, além de poeta, era um filósofo, nos deixou esta profundidade de pensamento: “Quer pouco: tende tudo. Quer nada: serás livre”.
No divino Infante Deus se revela potência, mas potência de amor, de justiça; mas, também clamor, grito dos órfãos, das viúvas, dos excluídos que, no Brasil, perfazem 2/3 da população global.
No poema ÖS DEVOTOS DO DIVINO”, que cantamos durante o Advento, em nossas reuniões da novena de Natal e na festa e oitava de Natal como também na festa dos Reis, há afirmações
por demais sérias, por isso mesmo, por demais humanas, portanto, por demais democráticas: “Que a fé seja infinita - que o homem seja livre - que a justiça sobreviva. No estandarte vai escrito que Ele voltará de novo. E o Rei será bendito. ELE NASCERÁ DO POVO”.
Novas eleições nos esperam em 2002.. A crise interna mantida sob uma cortina de fumaça veio à tona com a crise do mercado financeiro mundial. O Pacote, mais uma vez, vai pesar mais diretamente, sobre as costas do povo. Às duras penas o processo democrático, a instauração de uma Democracia Plena, social e econômica, continua sua marcha lenta, mas profunda. O desafio histórico não é só para os Srs. políticos, mas para todos nós. O povo almeja com todas veras do seu coração um avanço da democracia participativa e vai aprendendo canalizar e expressar este desejo eleitoralmente, não obstante o peso do poder econômico(“Comando Delta” ), da mídia e os institutos de pesquisa de opinião pública e de intenção de votos! Não obstante a besta apocalíptica do Mercado, do Neoliberalismo. E Deus fala, se manifesta, se revela através do que acontece, do que o povo faz, almeja, exige. A JUSTIÇA nascerá do povo, senão hoje, certamente, amanhã.
No próximo Natal, quem sabe, esta verdade será mais realidade, história, entre nós...É o que cremos e esperamos e por isso mesmo renovamos o nosso compromisso de fazer a nossa parte.
Frei Cristóvão Pereira ofm.


posted by Blog do Tachinha at 12:12 AM

 

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