SEMINARISTA

Blog do ALTAIR DE ALMEIDA COSTA (Tachinha) - Aqui você vai encontar notícias sobre o ENFRADES - Encontro Franciscano de Ex-seminaristas, de Santos Dumont, e de vários outros grupos de ex-seminaristas; da Sociedade Cultural Padre Nereu de Castro Teixeira e do Coral Gregoriano de Belo Horizonte: www.gregoriano.org.br





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sexta-feira, novembro 05, 2004

 
TEXTO DO ROSÁRIO: Segue abaixo o último texto enviado pelo Rosário:

84 - Aprenda quem quiser -
Publicado em 04/11/2004

Após ler o artigo: "Acredite quem quiser!" do escritor José Reis Chaves, de 18/10/2004, escrevi ao lado: "Chaves, vai devagar com o andor que este santo é pesado e de barro, e, se cair pode machucar". Como prova do que fiz, veja o que escreveu o irmão José Carlos Barbosa e com total apoio do padre Ferdinando Obs em 24/10/2004. Realmente não se vê síntese e nem antítese no e.mail do padre e teólogo Ferdinando, vê-se apenas o desejo de não colaborar com a verdade.Durante os meus 9 anos de seminário sempre procurei entender o dogma da Santíssima Trindade, como também buscava a compreensão de muitas passagens bíblicas, que nos apresentam um Deus tirânico, sem amor, sem capacidade de perdoar e até agindo com atos de magia negra.Hoje, para mim, dogma foi e ainda o é uma forma de repressão e castração da liberdade de pensar, então não é divino, mas humano. Em 24/08/1983 recebi uma explicação racional do dogma da Santíssima Trindade, que esclareceu-me todas as correntes filosóficas e teológicas sobre Deus, como o monoteísmo, panteísmo, politeísmo, monismo, dualismo e etc. A explicação, que foi dentro da teoria de conjuntos, sintetizou tudo e de acordo com a lógica e a razão: Existe um único conjunto cósmico, no qual tudo está contido e muitos, os panteístas e monistas, chamam este conjunto de Deus. Dividindo o conjunto cósmico em três subconjuntos A, B e C, temos uma visão clara de todo o mistério. "A" é um conjunto de um só elemento e eu o chamo de Deus-Pai-Mãe, o espírito incriado e primeiro criador. "B" é o conjunto de tudo o que foi e será criado, e, que vive na matéria bruta, este é o Deus-Filho. "C" é o conjunto de tudo o que foi e será criado, mas não está contido na matéria bruta, então está livre e vive no plano invisível, este é o Deus-Espírito-Santo. Todos os espíritos criados também podem ser criadores e aqui está a razão da existência de muitos falsos deuses, que são espíritos que querem tomar o lugar do próprio Deus.
Rosário Américo de Resende, ex-professor da UFMG. Belo Horizonte, 25/10/2004.


TEXTO DO FREI CRISTÓVÃO: Segue abaixo o último texto enviado pelo Frei Cristóvão:

CARACTERÍSTICAS DE NOSSA JUVENTUDE (PSC - Província de Santa Cruz).

"Se o mundo perder a juventude, tremerá de frio" (Léon Bloy")

Não participei da confraternização com o nosso Irmão, o Ministro Geral, frei José Rodrigues Carballo. Nem sei se ele fez um encontro só com os nossos confrades jovens. O que sei é que ficou no ar um mal-entendido: "os jovens, no mundo de hoje são "débiles"!
A tradução direta não escapa de certa ambiguidade: "debiles" viria a ser "débeis"! Ora, no linguajar comum de nossa gente "débil" vem a ser uma pessoa fraca da idéia: "fulano é um débil mental". "Não bate bem da cabeça"!
Creio que a intenção do nosso Irmão Ministro Geral teria a conotação de "vulnerabilidade". Em sendo assim, a tradução seria: "os jovens, de hoje, são muito vulneráveis". Questão de tradição, de cultura, ou, mais especificamente, de semântica, de lingúistica enfim.
Esta vulnerabilidade, no meu entender, é condição de todos nós, criaturas humanas. A labilidade faz parte de nossa ontologia.
No obstante isso, temos que contextualizar essa nossa debilidade: final de um milênio e século; início de um novo milênio e de um novo século. Tempos de profundas e aceleradas mudanças. Nos últimos cinqüenta anos a humanidade passou por mudanças e transformações que superam todas as épocas anteriores.
Desde então, vivemos em tempos de mutação nunca vistos (descobertas científicas, avanços e inovações tecnológicas). (Globalização financeiro-econômica. a civilização das imagens sobrepujando a civilização das idéias, o mundo da virtualidade, do pensamento único, do "piensero débole", do hedonismo exacerbado e do excesso da busca do prazer em si e concentrado no momento-presente, individualismo, tédio existencial compensado no álcool, na droga, no sexo pelo sexo e assim vai.
Seria nesse contexto é que poderíamos situar a juventude de nossos dias. São mais vítimas do que construtores do mundo que está aí e que fomos nós, os adultos, que o construímos e lhe deixamos como legado. Dele somos os primeiros responsáveis.
O mundo urbano-secularizado apresenta uma redução quantitativa das vocações sacerdotais e religiosas; sobremaneira, das vocações para a vida consagrada. O mundo rural, com famílias numerosas, e fortemente marcado pela religiosidade popular, sempre foi um celeiro de vocações.
Com o avanço tecnológico, as indústrias se multiplicam, o processo de urbanização se intensifica; surgem as cidades, as megalópolis,, provocando o êxodo rural e migração para os grandes centros. Com o "inchaço" das cidades, multiplicam-se as favelas, cortiços e palafitas. Na cidade, a família patriarcal, numerosa, é substituída pela família conjugal, com menos filhos e maior esgarçamento dos laços de parentesco.
Um par de noivos, quando se casam, ou se ajuntam numa convivência mais durável, a preocupação com os seus estudos e respectiva profissionalização (reprodução profissional) ganha prioridade; a casa ou o aluguel do apartamento pesa na balança de seus planos (reprodução financeira); só, então, pensam no primeiro filho; posteriormente, se as condições permanecerem favoráveis, planejam o segundo; quando muito, não passam do terceiro (reprodução física).
No mundo urbano, saúde, escola, diversão, férias fazem parte necessária do orçamento doméstico. E o processo de socialização se prolonga após os vinte e cinco anos.
Pesquisas recentes, realizadas pelo CERIS, encomendadas pela CRB, constatam que as vocações surgem do meio rural modernizado e das periferias de nossas cidades. O que não deixa de refletir no embasamento humano-religioso-intelectual dos nossos candidatos. O que, por sua vez, reflete e vai pesar na programação da Formação Inicial.
Aulas de reforço e complementaridade disciplinar fazem parte da programação dos anos de experiência de vida fraterna e comunitária da CJF e do Postulantado. O tempo de noviciado, com sua especifidade, não dispensa momentos fortes de formação humano-intelectual. (INTER)
Os estágios ganham colorido ao propiciar maior conhecimento da Província, dos confrades e de seus compromissos pastorais-evangelizadores.
Seria ousadia e temeridade de minha parte pretender configurar o perfil da juventude dos nossos confrades mais jovens.
O que exigiria um estudo-de-campo mais apurado e uma maior convivência com a turma. No muito arriscamos algumas considerações; quando muito reflexões mais de caráter aproximativo.
Tomando como ponto de partida as observações acima pontuadas, poderíamos traçar um quadro de leitura provisório, portanto, sem qualquer pretensão apodítica.
Quais seriam estas características? É possível desenhar uma grande de leitura básica? Um quadro aproximativo inicial? Como seria então?
Teríamos então:
1 os "engajados": mostram-se mais sensíveis quanto às "Novas Formas de Evangelização" (Pastorais Sociais) e marcam presença nos Meios Populares . Aí encontram motivação para sua opção religiosa-franciscana. Cobram da Província mais abertura para as assim chamadas "novas formas de evangelização.
2. os "Moderados": manifestam sua preferência e gosto pelas celebrações litúrgicas nos espaços, lugares e circunstâncias onde isso é possível (Fraternidade, Comunidade, ISTA, preparação e celebração das cerimônias de profissão solene, ordenação sacerdotal). Buscam assegurar a sua dimensão de cunho franciscano enquanto expressão de uma evangelização comprometida com a Vida, com a Justiça; vale dizer, com o Reino. Mais com sua presença testemunhal na Sociedade e na Igreja enquanto pessoa e franciscano (hábito) (Seminários, Fóruns, CF, Grito dos Excluídos, Semanas Sociais etc. O estudo dos Escritos de Francisco e Clara, presença e atuação nos Movimentos Francisclarianos e são sensíveis a uma Liturgia inculturada;
3. os "Indecisos": em fase de maturação humano-religiosa, oscilam entre os compromissos comunitários, estudantis e pastorais. Buscam um difícil, por vezes doloroso, equilíbrio que a dinâmica da vida exige, ou mesmo, se impõe.
Afinal, cada um é cada um. Cada um tem lá seu ritmo. Administrá-lo e respeitar o processo de cada um, faz parte da lógica da Vida.
Trata-se de um quadro aproximativo, repito eu , de uma realidade complexa, diversificada, polissêmica.
A Província, por sua vez, passa por mudanças sensíveis quanto à sua configuração humana. Mais brasileira e mineira, com um potencial renovador mais jovem. Confrades jovens são convocados para assumir bem cedo vários serviços, responsabilidade no interno da vida provincial (Formação Inicial, guardianatos, Comissões) A Província oferece um leque variado de cursos e estágios dentro e fora do país, no intuito de complementar a formação humano-espiritual-franciscana e acadêmica.. A própria Ordem promove encontros para confrades com dez anos de profissão solene; e agora, com 40 de professos.
A Formação, no seu todo, tanto Inicial como a Continuada, constitui uma preocupação explícita do governo da Ordem Experiência de Jerusalém (no momento, suspensa), experiência de Assis, Cursos de Franciscanismo em Córdoba, em Petrópolis, possibilidade de especialização seja em Liturgia, em Música, em Artes. Os encontros das faixas etárias vão criando raízes, sendo assumidos com mais responsabilidade e entusiasmo pelos confrades mais jovens. O encontrar-se por encontrar-se num clima de espontaneidade e de partilha, marcam os seus encontros; enquanto que nós, os mais avançados em idade e com uma caminhada mais longa, sentimos dificuldade para nos entrosar numa dinâmica de partilha de nossas vidas e de nossos trabalhos.
Claro que o processo formativo ressente das seqüelas de uma época marcada pelo que se convencionou denominar "transição paradigmática" O que vale para todos; daí a necessidade de uma "Formação Continuada" atualizada. Todos nós somos vulneráveis a esse processo. Os jovens, talvez, o ressentem com mais intensidade. O cuidado de um embasamento humano-espiritual-intelectual impõe-se com mais veemência e urgência.
Os nossos jovens aspiram por mais espontaneidade, afetividade, alegria de viver e sentido humano-evangélico que venham preencher sua opção de vida.
Valorizam muito a vida fraterna, a forma de vida comunitária e respeito à sua individualidade.
São desafiados a administrar, dentro de um equilíbrio dinâmico mínimo, o espaço que têm para se manter de pé e vivo: vida fraterna e comunitária, estudos, estágios, testemunho e compromissos evangelizadores.
Neste "mundo" tão dinâmico e diverso do nosso, os "pré-históricos, os "dinossauros", é que nossa "jeunesse" se movimenta.
Além de nosso testemunho pessoal, cabe nosso apoio e confiança nos que são chamados para prestar seu serviço no quadro formativo da Província. Sem esquecer jamais que o todo provincial constitui o quadro formador, por excelência.
Afinal, "juventude" não é tanto questão de idade, mas antes de cabeça, de espírito, de coração. Jovialidade de ser e de vida, devem permear nosso ser, nossa vida.
Ser "jovem" é cultivar dentro de si o que é próprio e específico de Deus: fonte e vigor de tudo onde expande e viceja a alegria, amor. A VIDA, enfim..

Frei Cristóvão Pereira ofm.


posted by Blog do Tachinha at 10:05 AM

 

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